Archive for August, 2009

balada para uma alma triste

But that was just a dream
that was just a dream…

Como deve ser a alma de um artista sem talento? Atormentada pelo seu fracasso, pela sua insignificância? Nós nos machucamos deveras por não conseguirmos atingir determinados objetivos, ainda que não sejamos os culpados pelos fracassos. E nesse caso, as escusas são várias, a ponto de se tornar um consolo não só cabível, mas imprescindível para a auto-estima.

Mas que dizer daqueles mancos sem muletas? Aqueles seres cuja simples existência é uma ironia? Uma piada sarcástica do destino?

Pior, acredito, somente aqueles que possuem a plena consciência de sua mediocridade. Sabe que é uma fraude. Sabe que não merece todos aqueles aplausos. E tais aplausos são como afiadas lâminas a perfurar-lhes os tímpanos. Tudo soa falso. E sua avaliação prescinde de votos favoráveis. Ele, mais do que ninguém, sabe.

Uma alma de artista, condenada desde sua criação a um purgatório, sem perspectivas de alteração de regime no cumprimento de sua pena. So sad…

E dizem que eu sou mal…

…and mothers prefer doctors and lawyers

Desculpe-me… Preferências à parte, não tenho porquê contrariar o seu mal gosto. É algo com o que você tem que conviver. Eu disse: você! Sim, porque Karmas são individuais. E nesse caso, compartilhar decepções é tão mesquinho quanto se opor a ajudar. Eu me oponho ao mal gosto. E, particularmente, além de não me sentir mal, não consigo sentir pena.

Acredito ser de mais ajuda o que faço, que qualquer tipo de apoio moral. Não é disso que você precisa. Há todo um mundo ao seu redor. Você pode ser mais feliz. E pode até vir a fazer alguém feliz. Enquanto isso, aceite o encargo de me perder. Acredite: nada será como antes. Pelo menos, não para você.

chains

Eu ainda não sou livre. Eu tento ser. E há momentos em que percebo claramente os meus retrocessos. É que é mais fácil tentar ser normal e seguir aquele caminho que já está traçado. Acho que errei ao fazer a minha ficha. Deveria ter distribuído melhor os pontos em meus atributos. Poderia ter menos manipulção e mais destreza. Menos presença e mais vigor. Queria ser um bárbaro. Passar longe da sofisticação e deixar de pensar. Hoje pensar me machuca. E saber que houve tempo em que eu sentia prazer… Quero me imiscuir. Porque conhecimento não liberta. Conhecimento o escraviza e o reduz à tristeza e ao amargor. E eu sou, particularmente, um doce de pessoa…

Agridoce

I hear in my mind
All these voices
I hear in my mind
All these words
I hear in my mind
All this music

Eu consigo sentir muitas coisas e fazê-las parecer diferentes a cada momento. É como se pudesse ser um ser idiossincrático e trazer em mim todas as versões e contradições. Não consigo não ser dessa forma. Qual uma maldição, submergida em minha pela, impingida na minha alma… Não quero mais reagir diversamente a coisas similares, variados apenas os momentos. E o pior é que há uma verdade tão crua em cada reação. Há verdade em todas elas. Uma verdade que me espanta e, por fim, me constrange. Hei de viver sempre a me surpreender, mesmo com minhas ações mais pensadas?