Como deve ser a alma de um artista sem talento? Atormentada pelo seu fracasso, pela sua insignificância? Nós nos machucamos deveras por não conseguirmos atingir determinados objetivos, ainda que não sejamos os culpados pelos fracassos. E nesse caso, as escusas são várias, a ponto de se tornar um consolo não só cabível, mas imprescindível para a auto-estima.
Mas que dizer daqueles mancos sem muletas? Aqueles seres cuja simples existência é uma ironia? Uma piada sarcástica do destino?
Pior, acredito, somente aqueles que possuem a plena consciência de sua mediocridade. Sabe que é uma fraude. Sabe que não merece todos aqueles aplausos. E tais aplausos são como afiadas lâminas a perfurar-lhes os tímpanos. Tudo soa falso. E sua avaliação prescinde de votos favoráveis. Ele, mais do que ninguém, sabe.
Uma alma de artista, condenada desde sua criação a um purgatório, sem perspectivas de alteração de regime no cumprimento de sua pena. So sad…