Dizem as más línguas que eu não tenho memória, apenas uma vaga lembrança… Não é que eu esqueça as coisas… É só que eu não lembro… Não lembro de datas de aniversários, apesar de sabê-las. Não lembro de conversas inteiras. Não lembro o que fui pegar na geladeira. Retorno ao quarto e volto à geladeira, quando eu lembro. Não lembro de comer coisas que estragam na geladeira. De datas de contas, e viva o débito automático. Onde deixei: chaves, pacotes, livros, carteira… Não lembro de comprar coisas que acabaram e o motivo de eu estar no supermercado. Agora esquecer… Esqueço de pouquíssimas coisas: esqueço de ofensas, quando elas são dirigidas a mim. Porque se for dirigida a alguém de quem eu gosto, eu não consigo esquecer… Esqueço brigas, esqueço caras feias, esqueço, esqueço, esqueci…
Archive for June, 2008
On the table
Os sapatos em cima da mesa. A mesma na qual se colocam pratos quentes, que se servem os amigos. A mesa da sala, se sala houvesse. Papéis em cima da mesa, a mesma na qual se encontra uma caixa inútil de fósforos em tempos de fogão elétrico. Um pote com dois rashis sujos da última pseudo-refeição chinesa. Dois copos, não de duas pessoas, mas de uma que bebeu duas vezes. Um com água e o outro vazio. No vazio havia água… Livros técnicos alguns cabos e uma torradeira elétrica. Minha vida se resume à minha mesa.
PS: Os sapatos são por conta da Amélie e Juno, que fazem festas, verdadeiros bacanais, com calçados.
V da Vitória para vc!!!
Inicialmente quero que fique bem claro que eu NÃO tenho ORKUT. Como diz uma amiga minha, mais uma razão que comprova ser eu o homem perfeito… Bom, dia desses estava no MSN com minha irmã. Daí ela pediu para eu entrar no ORKUT para ver as fotos do São João, que eu passei em pleno Cerrado, dado o fato de aqui não ser feriado. Pois bem, como o meu e-mail é GMAIL, tenho automaticamente um cadastro no ORKUT, coisa que minha irmã veio a me esclarecer. Entrei e fui ver as fotos. Ela tirou várias, mas em quase todas as que ela tirou com uma determinada amiga, a dita cuja estava com as mãos fazendo aquele infâme “vezinho da vitória”. As que a tal não estava com as mãos “em V” estava com as mãos para trás. Imediatamente perguntei para a minha irmã se a amiga dela possuia algum problema físico nas mãos. Ela me disse que nao. Pronto. A partir de então, invoco a máxima V da Vitória para vc! E não tenham a audácia de me perguntar o que significa. A máxima é como substantivo próprio. Não se explica o porquê… Para facilitar o uso, não usem. O “V da Vitória para vc” vem a ser algo muito próximo do “oxente” para os baianos. Todos os baianos usam para tudo, e os de fora inexplicavelmente só usam errado. Então, V da Vitória para vc!
Decanter
Eu tava só, sozinho
Mais solitário que um paulistano
Que um canastrão na hora que cai o pano
Não há telegrama certo para que eu me sinta mais feliz… Sei que há muitas pessoas que me amam, mas isso não faz com que eu me sinta “mais feliz”… Eu sou feliz menos porque há pessoas que me amam e mais porque há pessoas que eu amo. E continuo só. Porque a solidão me é cara. Estar só, quando estimamos a nossa própria companhia, não traz sofrimento algum. Inclusive porque acredito no grande Drummond, quando diz ser a dor inevitável, e o sofrimento opcional. Nesse particular, ressalto que a solidão não me inflige qualquer tipo de dor.
Momentos hão de ser compartilhados, diria o poeta… Depende… Há momentos e momentos. Acredito que felicidade deva ser sempre compartilhada… Sofrimento há de ser reduzido em meras palavras… Com o resto, que à propósito compõe a maior parte de nossa existência, cada um faz o que quiser. Eu gosto de ficar só. Como não sou dado a sofrimentos, a parte que hei de compartilhar são os momentos felizes e eu o faço com minha família, meus amigos e mesmo com pessoas que me odeiam.
No último parágrafo acabei omitindo um fato básico: Eu me considero uma pessoa muito intensa… E isso necessariamente causa um desgaste muito rápido em todo o tipo de relação. Como uma chama de um palito de fósforo em plena combustão. Conheço a pessoa e a mesma acaba por se tornar velha conhecida. Ocorre que nem todos tem o prazer de saber desfrutar de cara uma intimidade que só o tempo traz. E tudo o que posso sentir por essas pessoas é compaixão. Afinal de contas, quem é mesmo que deixou o Olimpo?
Mas deixemos de lado tamanha intensidade, que se for começar a falar de mim, acabo por não concluir sobre a amiga solidão.
E há pessoas que se dizem frigideira, por não terem alguém a servir-lhes de tampa. Pois que fique claro que, diferente de tais pessoas, me considero um decanter, o qual, contrariamente à necessidade de tampa, serve ele de instrumento à oxigenação de vinhos encorpados, de forma a fazer vir à tona o que há de melhor nos mesmos.
Sobre seres do mal
“Olhe mas não toque, toque mas não prove, prove mas não coma, coma mas não engula… “ e Al Pacino fez um Diabo irresistível, mesmo a advogados… Acredito que na história do cinema, só possa ser comparável ao Lú, de Constantine. Meio malandro, pecavelmente vestido de branco. Faltou apenas o chapéu panamá para que soubéssemos que se Deus é brasileiro, o Diabo é carioca… E saber que o elo em comum entre esses dois excepcionais personagens é o débil Keanu Reeves. Acho que a sua constante falta de expressão o ajude. E não falta inteligência na escolha de seus papéis, que sempre é pautada na inexpressividade. Obviamente não vou tocar no nome do Demônio, sob pena de ter de trazer o Sweeney Tood de Johnny Depp, ou de Tim Burton, ou dos dois juntos… Monstros, de forma alguma, que Hannibal me obriga a compor com lordes esse cenário. E antes que pensem, NÃO, vampiros não são monstros. A estes eu prefiro chamá-los todos em outra oportunidade.
Vambora*
Não foi a falta do que dizer… Nem a forma, ou o que quer que pudesse ser… O momento foi mágico. Mesmo tudo tendo dado errado, mesmo que não tenhamos ficado juntos… Não há em quem colocar a culpa. A noite fez o seu papel. O filme, a música, o lugar, o vento… Tudo estava perfeito. Minha declaração, embora esperada, não deixou a desejar a nada que já tenha visto. Foi linda. Singela, aberta, qual uma rosa ao final de uma primavera inteira… Sangrando, chorando, sem ser piegas, sem ser demasiada e ao mesmo tendo mostrando o porquê de eu ter deixado de ser um deus… o deus mensageiro, de asas nos pés… Época única na qual imaginei que estava errado. Mais uma vez a doce ilusão de ser um daqueles para os quais o amor mostra a sua face cândida… Não… Não sou dos que possam viver o amor. Pelo menos não o amor em sua acepção dual. Meu amor é platônico. E como eu odeio poder devotar esse amor a uma pessoa que não imagina o quanto deixou de lado. E como eu odeio não ter desgostado dessa pessoa. Porque quem não me quer, definitivamente não me merece. E eu sei disso. Mas eis que a razão ri diante de mim… Iluda-se para não cortar elegantemente os seus pulsos. Porque para que esse sentimento pudesse nascer e permanecer a me atordoar, significa minimamente que essa pessoa mereça, sim, isso tudo. Eu, do alto do meu eu, vou gastar a única coisa que não se gasta por alguém que não mereça? Inimaginável. Mas esse merecimento gera imediatamente a pergunta dolorosa: qual o motivo de uma pessoa que mereça o meu amor não desfrutá-lo? Serei eu um ser não irresistível? Eu sempre o fui, quando quis. Porque ser irresistível não é ser unanimemente desejado. É ser inconcebivelmente desejado pela pessoa que vc escolheu. Um vampiro que escolhe a presa, a mesma que, inexplicavelmente se sente atraída por ele. Mas não procuro pela resposta. Apenas sigo com esse sentimento, e com a certeza que é o mais próximo que cheguei do menino Eros.
Enfim… e saber que isso já faz mais de dois anos…
* É o título da música da Adriana, que, à propósito, começou a tocar no meio do post, e tem tudo a ver…
Hannibal again and again…
Acabo de sair da cela do Dr. Lecter. É a primeira aparição dele no LIVRO O Silêncio dos Inocentes. Todo o savoir afair em pequenos gestos… E não tem como ler e não ver o Antony Hopkins. E nunca Sir Antony Hopkins fora o mesmo. Assim como eu.
e o que você fez antes de morrer?
E saber que tinha tanta coisa planejada… Muito a fazer, há muito cogitado. E um de repente pode deixar uma vida, se vista como um todo, sem um sentido. Ao tentar dar um sentido à vida, deixa-se de lado todos os outros quatro. Porque havemos de ter os cinco, e para aqueles que o possuem, os seis sentidos. Só então somos plenos. Diz-se da dificuldade em exercê-los todos a todo o momento. Bobagem, que as crianças o faz com maestria. Uma vez resgatados, posto que latentes, os seus sentidos, eles sim, darão sentidos à sua existência. Não que haja nisso algum significado. Pois procurar significado é procurar história. E as melhores biografias são as póstumas.
Raindrops Keep Falin On My Head
Estava ouvindo agorinha essa música… Para vc ver que, apesar de gotinhas de chuva continuarem caindo no seu rosto, uma hora elas passam… E o sol preguiçoso vai aparecer de novo!
“Raindrops keep fallin on my head
And just like the guy whose feetare too big forhis bed
Nothin’ seems to fit those raindrops are fallin on my head they keep fallin
So I just did me some talkin to the sun
And I said I didn’t like the way he got things done
Sleepin on the job, those raindrops are fallin on my head, they keep fallin
But threre’s one thing I know
The blues theysend to meet me won’t defeat me
It won’t be long till happiness steps up to greet me
Raindrops keep fallin on my head
But that doens’t mean my eyes will soon be turnin red
Cryin’s not for me cause I’m never gonna stop the rain by complainin’
Because I’m free,nothing’s worryin me”
