Estava eu passando por um blog amigo e me deparei com um texto acerca do tempo. Mas não era uma apologia ao tempo. Antes disso, o execrara em praça pública. Venho eu, qual seu mandatário, muito embora me falte o instrumento procuratório, declarar a verdade mais contundente. Não se explica os atos de deuses. São seres, eles sim, acima do maniqueísmo nosso de cada dia.
Não queira qualquer ser meramente mortal entender os meandros do pensamento de um deus, quanto mais do deus Tempo, que criou ele mesmo o passado, presente e futuro. A sua pseudo linearidade é apenas uma das formas mais simples de se fazer entender, tornando-se tangível tanto quanto possa. Porque, em verdade, qual caracois caetanísticos, o tempo se enrola sobre si, fazendo-se e desfazendo-se como ondas que não são definidas pelo vento ou pela maré, mas cuja arrebentação se encontra no local onde escolhe, seja em alto mar, seja em meio aos penhascos.
E com relação às temperanças, deixamo-las onde se localizam: no seio da discricionariedade do seu dono. Se há tempo de chorar e tempo de sorrir, não nos cabe indignarmos contra o tempo. Devemos sim, ser gratos pelo tempo que nos foi dado, como bem reza o Edward Walker magistral de Willian Hurt na Vila de Shyamalan.
Perdoai-os Pai, eles não sabem o que dizem…