Archive for April, 2008

Sobre as temperanças

Estava eu passando por um blog amigo e me deparei com um texto acerca do tempo. Mas não era uma apologia ao tempo. Antes disso, o execrara em praça pública. Venho eu, qual seu mandatário, muito embora me falte o instrumento procuratório, declarar a verdade mais contundente. Não se explica os atos de deuses. São seres, eles sim, acima do maniqueísmo nosso de cada dia.

Não queira qualquer ser meramente mortal entender os meandros do pensamento de um deus, quanto mais do deus Tempo, que criou ele mesmo o passado, presente e futuro. A sua pseudo linearidade é apenas uma das formas mais simples de se fazer entender, tornando-se tangível tanto quanto possa. Porque, em verdade, qual caracois caetanísticos, o tempo se enrola sobre si, fazendo-se e desfazendo-se como ondas que não são definidas pelo vento ou pela maré, mas cuja arrebentação se encontra no local onde escolhe, seja em alto mar, seja em meio aos penhascos.

E com relação às temperanças, deixamo-las onde se localizam: no seio da discricionariedade do seu dono. Se há tempo de chorar e tempo de sorrir, não nos cabe indignarmos contra o tempo. Devemos sim, ser gratos pelo tempo que nos foi dado, como bem reza o Edward Walker magistral de Willian Hurt na Vila de Shyamalan.

Perdoai-os Pai, eles não sabem o que dizem…

NO STRESS

Finalmente estou relaxado aqui em Brasília. Não me perguntem o que aconteceu para que eu me sinta assim, apesar de, no fundo, eu desconfiar. Mas o fato é que eu estou tranquilo. Acredito que tudo venha no seu devido tempo. É bem reconfortante você acreditar que as coisas não dão errado nunca; que tudo acontece do jeito que tem que acontecer. Isso me faz bem, a despeito de parecer um pensamento inocente (para não dizer infantil).

Para algumas pessoas esse post pode estar sem pé nem cabeça, mas acreditem, nesse momento eu abraço o meu destino e fico feliz com tudo o que me aconteceu até hoje. O que me fez ficar triste, contribuiu para eu não ser um bobo da corte. O que me fez ficar alegre, conseguiu tirar de mim um possível amargor, inato a pessoas que não pingam o colírio do riso em seu ciso.

Enfim, ao olhar para mim, acredito que o destino me foi caro, amigo… E penso ter sabido entender tudo o que ele aprontou comigo, porque mais do que as coisas que nos acontecem, nós somos o resultado de nossas posições frente a esses eventos. E nesse caso, me desculpem os inseguros, eu sou mais eu.

Um anjo…

Não vou nem falar muito, porque depois de um final de semana em Angra, dizer o quanto foi perfeito é provocar a usura alheia, e eu prefiro inspirar sentimentos mais nobres…

Textos tristes

Tava numa “mesa de bar” amiga e li um texto em que o Autor tinha dúvidas se tinha, de fato, sofrido por um acontecimento. Quase que imediatamente me lembrei que eu, qual Regina Duarte,  tenho medo de algumas coisas escritas por mim. Na verdade, eu tenho a nítida impressão que não fui eu quem escreveu aquilo. Alguns soam como bilhetes pré-suicídios. Outros, cartas de pessoas com problemas de auto-estima. O sofrimento é tão tangível que eu tenho a impressão de ser, realmente, outro o autor… Geralmente não levo os textos a sério, inclusive porque não consigo me lembrar de ter tido aquela sensação. E, que fique bem claro que não se trata de “eu lirico”. Porque nos textos em que me visto de personagens, eu me lembro de toda a construção da personalidade da criatura. Eita… Isso agora soou tão esquizo… Mas eu não mordo, nem ladro. Digamos que tenho armas suficientes para persuadir a pessoa se morder.

Outros esclarecimentos que devem ser feitos: não, eu não sou uma pessoa com baixa auto-estima, e quem tem o prazer de me conhecer, mesmo que inconsciente (o prazer), sabe que, definitivamente baixa auto-estima não é uma das características inerentes à minha personalidade. Por fim, ao nascer fui proibido de cometer suicídio. Trata-se de crime contra o patrimônio histórico-cultural mundial. Com essa última declaração, acredito ter convencido os poucos incautos da minha inabalável auto-estima.

Saudades

Mas são saudades boas, se é que existem as más… São saudades da minha Amélie, que agora eu sei, tem dia e hora para acabar. Ou melhor, acabar não, que a saudade é o sentimento da fênix. Mesmo após matarmos, passado algum tempo ressurge de nossas próprias entranhas, por vezes até mais forte.

Mas não são saudades exclusivamente de minha filha. Da mãe dela também. Minha amiga querida de todas as horas, que suporta meus gritos (e ainda gosta…).

Dia 23 de maio vem aí.