Gripe. Três dias de gripe. Três dias de trabalho com gripe. E saber que eu adoro gripe, quando posso ficar deitado na minha caminha… Adoro a moleza do corpo, aquela sensação de que não se pode levantar (quando na verdade, é só manha), os cuidados inerentes – sopinhas, mingaus, antitérmicos – acordar à noite molhado de suor, trocar a camisa e beber água pra voltar a domir, repetir esse ritual pelo menos três vezes por noite. Tem gente que me olha de cara feia quando eu digo que gosto de ficar prostrado na cama, de gripe. Pra falar que nem tudo é perfeito, odeio a coriza. Mas não me incomodo muito com o nariz entupido. O que me incomoda mesmo é o diabo da coriza. É fato que ela nem sempre vem, ao que eu agradeço ao meu Senhor do Bonfim. Mas mesmo adorando ficar gripado, ter de fazer audiência e correr atrás de liminar com o corpo todo mole não é coisa de Deus… Ainda bem que eu já tou melhorando…
Archive for February, 2007
me, mi, comigo; te, ti, contigo; o, a, lhe, se, consigo.
Decorando os pronomes pessoais do caso oblíquo é uma das raras vezes que baianos falam “mé” se referindo a “me”, que na maioria das vezes é pronunciado “mi”… O mesmo se aplica a “te”.
Welcome Bruno
Um amigo muito querido acaba de chegar em Salvador. Não, ele não veio para o carnaval, mas como tem um santo forte, mesmo com o inferno que deve estar o céu de Salvador, conseguiu uma passagem ontem de Sampa pra cá. Mas pra provar que o santo dele é um schwarzenegger, anteontem ele conseguiu uma passagem de Angola para cá.
Sabe de uma, Bruno… Antes de qualquer coisa, vá tomar banho!!!
Condicionamento operante
Por que eu não consigo falar a palavra “enlarguecer” sem me lembrar imediatamente de Sarajane?
PS.: Para saber mais, procurem na wikipédia por Burrhus Frederic Skinner.
Sensações
Eu não sou muito de esperar as coisas acontecerem. Mas o pior é que elas só acontecem quando têm de acontecer. Comigo, pelo menos, é assim. Posso correr muito em busca de alguma coisa, mas tenho a nítida sensação de que essa coisa só vêm quando ela quer. É como se, numa prova de maratona, a chegada só se tornasse próxima, se a faixa quisesse se aproximar de mim. Poderia passar a minha vida correndo, que só conseguiria chegar ao fim da prova, no instante em que a faixa decidisse: está na hora desse rapaz cruzar por aqui. Pode parecer um pensamento carente de razão. Mas quem disse que as sensações são pautadas na racionalidade?
Do porquê eu “adoro”desembargadores.
Esses seres magnânimos… Cume da evolução da raça humana, se é que ainda possam ser considerados humanos, tal a perfeição que emana desses seres superiores. Foram três horas e meia de espera. Sentado na ante-sala do gabinete da Sra. Dra. Desembargadora, no intuito de poder trocar algumas palavras para que uma decisão pudesse evitar um dano irreparável ao meu cliente. Metaforicamente seria uma decisão que impediria uma construtora de derrubar uma casa. Acaso essa decisão não fosse proferida, meu cliente fatalmente nunca mais teria a sua casa. Poderia ser indenizado, poderia ter dinheiro suficiente para comprar outra casa, até mesmo melhor. Mas a SUA casa, nunca mais.
Pois bem, fiquei das 11:00 às 15:30 à espera da ilustre magistrada, para ouvir, com desdém, que a mesma estava atrasada e que não despachava com advogados. (Estão erradas as pessoas que ligaram o termo “despacho” a qualquer religião de origem africana. O sentido aqui é outro, e não há sinônimo no idioma português).
Aguardei a douta Sra. por mais duas horas, até o momento em que obtive a cópia da decisão, na qual ela deferiu o meu pleito (concordou com o que eu disse). E você acha que eu fiquei triste? Não, que advogado é bicho besta e se contenta com migalhas… Fora isso tudo, somos mal vistos pelo resto da humanidade… Mas esse fato foge ao tema, pois estou falando de desembargadores, que, como já dito, não compõe a humanidade…
Sobre o Rio
O de janeiro, fevereiro e março, que fique entendido… Sobre o porquê todo mundo acha lindo? Porque É! Gente… aquela cidade é tão linda que ofende! Machuca… E olha que algumas pessoas acham Salvador linda (eu entre elas), mas o Rio… Toda vez é isso… Basta viajar praquele lugar e volto assim… Saudosista de uma época que jamais vivi, a Belle Époque. Imagine uma Paris brasileira (sim, porque me recuso a escrever tupiniquim, apesar de gostar da palavra… é que sempre me parece depreciativa quando usada junto a referências estrangeiras). Fico pensando naquele lugar nos anos 30, 40 e 50, com todo o bom gosto e refinamento quase inexistentes nos dias atuais. Ah sim… a paisagem… Claro… A paisagem… Ela existe e é perfeita… Serve só para nos machucar mais ainda. Quem me conhece, sabe que o meu sonho de consumo é morar numa novela de Manoel Carlos… No núcleo rico e bonzinho, por favor…