Uma conversa muda pairava entre elas.
- Você anda dormindo com Floyd?
- Não é da sua conta.
- O que esse Ben Mears significa para você?
- Não é da sua conta.
- Você vai ficar caída por ele e fazer alguma besteira?
- Não é da sua conta.
- Eu te amo, Susie. Eu e teu pai te amamos.
E, diante disso, não havia resposta. Nenhuma resposta.
Excerto de Stephen King em Salem´s Lot.
Ficar sem respostas… Fui um menino sem respostas durante toda a minha infância. Muito após as situações, me surgiam respostas incríveis, bem sacadas, inteligentes; mas só depois. E na primeira oportunidade eu usava as ditas respostas. Mas saiam “frases feitas” sem o efeito próprio da espontaneidade. Quem infernos a espontaneidade era para fazer com que minhas “frases perfeitas” ficassem quase ridículas?
Com o tempo, fui percebendo que a tal espontaneidade estava ali, sim! Era que eu não me permitia ser espontâneo. Fui educado assim. E quando tinha a necessidade de ser um pouco mais ácido, as palavras se recusavam a me laurear. Ficava ali, morrendo de vontade de dar “aquela resposta”, e vendo os dedinhos de negação das palavras na minha direção.
Hoje eu me permito ser irônico. Me permito ser espontâneo, mesmo que isso possa soar meio que mal educado. Não vou ser hipócrita ao ponto de dizer que não me incomodo com o que pensam de mim. Claro que me incomodo! Por exemplo: não gosto que pessoas desinteressantes (veja como estou sendo eufemista) gostem de mim, do que escrevo, de como sou. Realmente me desagrada saber de tais coisas. Prefiro que me odeiem, que me achem insuportável, antipático, egocêntrico… o que seja. Eu me esforço muito para que tenham essa imagem minha, até dialogo com elas… (estou falando das pessoas desinteressantes).
O fato é que eu superei a necessidade de ser perfeito. Passei a ser espontâneo. E sou bem mais feliz hoje por isso. Alguns podem achar um quê de mediocridade na minha conduta. Ah… So sorry… Vim a esse mundo a passeio. Carpe Diem, meus queridos…
