Archive for January, 2007

Sobre a espontaneidade

Uma conversa muda pairava entre elas.

  • Você anda dormindo com Floyd?
  • Não é da sua conta.
  • O que esse Ben Mears significa para você?
  • Não é da sua conta.
  • Você vai ficar caída por ele e fazer alguma besteira?
  • Não é da sua conta.
  • Eu te amo, Susie. Eu e teu pai te amamos.

E, diante disso, não havia resposta. Nenhuma resposta.

Excerto de Stephen King em Salem´s Lot.

Ficar sem respostas… Fui um menino sem respostas durante toda a minha infância. Muito após as situações, me surgiam respostas incríveis, bem sacadas, inteligentes; mas só depois. E na primeira oportunidade eu usava as ditas respostas. Mas saiam “frases feitas” sem o efeito próprio da espontaneidade. Quem infernos a espontaneidade era para fazer com que minhas “frases perfeitas” ficassem quase ridículas?

Com o tempo, fui percebendo que a tal espontaneidade estava ali, sim! Era que eu não me permitia ser espontâneo. Fui educado assim. E quando tinha a necessidade de ser um pouco mais ácido, as palavras se recusavam a me laurear. Ficava ali, morrendo de vontade de dar “aquela resposta”, e vendo os dedinhos de negação das palavras na minha direção.

Hoje eu me permito ser irônico. Me permito ser espontâneo, mesmo que isso possa soar meio que mal educado. Não vou ser hipócrita ao ponto de dizer que não me incomodo com o que pensam de mim. Claro que me incomodo! Por exemplo: não gosto que pessoas desinteressantes (veja como estou sendo eufemista) gostem de mim, do que escrevo, de como sou. Realmente me desagrada saber de tais coisas. Prefiro que me odeiem, que me achem insuportável, antipático, egocêntrico… o que seja. Eu me esforço muito para que tenham essa imagem minha, até dialogo com elas… (estou falando das pessoas desinteressantes).

O fato é que eu superei a necessidade de ser perfeito. Passei a ser espontâneo. E sou bem mais feliz hoje por isso. Alguns podem achar um quê de mediocridade na minha conduta. Ah… So sorry… Vim a esse mundo a passeio. Carpe Diem, meus queridos…

Mihara

Ontem eu viajei. Saí de Itapetinga (interior da Bahia) às 12:30 e cheguei em Brasília às 10:00 de hoje. Como vocês podem perceber, vim de ônibus, pela simples razão de não haver vôo de lá pra cá. Se acompanha esse blog, percebeu que tenho feito várias viagens de ônibus… Talvez, para pagar meus pecados… O fato é que essa, inclusive pela distância, foi incomparável. Minha poltrona era a 40. Pense que atrás de mim vinha um monte de … sei lá do que eram… Só sei que faziam muito barulho. Conversavam alto, papos desinteressantes… Bizarro! Era um tal de pobrema, sistema disgestório, jega (a mulher do jegue), dentre outros muitos impropérios… O ar condicionado a 25º, pq as “pessoas?” não estavam acostumadas… Enfim, uma viagem perfeita… Pelo menos a volta pra Salvador será de avião…

P.S.: Uma das criaturas se chamava Mihara. Na verdade, acredito que o nome da dita cuja era MIRRARA, de mirrar mesmo… Mirrar a minha paciência…

Casa cheia

Estou prestes a ver minha casa mais cheia. Para quem não me conhece, eu moro só em Salvador. Minha família quase toda mora no interior da Bahia, numa cidade muito simpática chamada Itapetinga. Bom, vim passar o natal, como sempre, e irei ficar aqui até o dia 12 de janeiro, quando irei pra Brasília visitar meu irmão e meus dois sobrinhos, além de fazer um concurso. De Brasília está vindo uma prima minha, com o seu marido e duas filhas. Acredito que passem o fim de semana aqui e depois viajem para o litoral. O caso é que, apesar de minha casa aqui ter cinco quartos, já residem aqui minha mãe, meu pai e duas irmãs. Ou seja, serão mais de nove pessoas, contando com o cachorro de minha irmã, debaixo do mesmo teto. Para quem está acostumado a morar sozinho, acho que vou entrar em parafuso…

Ano passado

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 Ano passado eu passei o reveillon num clube aqui de Itapetinga. Minha proposta foi passar com meus pais e não gastar, logo… Pense que teve de tudo. De repente eu me vi num expresso com destino à porta do inferno. E acredite, ela não demorou muito de chegar. Uma mulher bizarra (que depois minha tia disse que era daquele jeito pq caiu do 2º andar do apartamento quando pequena), vestida com um “tomara que NÃO caia” vermelho puta, mais parecida com uma pomba gira. Não bastasse isso, estava dançando ao som de “não me chame não que eu vou/venha venha/venha venha…”. Se você acha que já pode ser configurada a porta do inferno, está muito enganado… A minha tem um cérbero na porta. A dita cuja estava dançando dança do ventre ao som de pagode… Sim… Ela deslocava o quadril e jogava as mãozinhas… Eu, como Regina Duarte, fiquei com muito medo!!!! Fora isso, várias coisas bizarras menores deram ares infernais à festa: pessoas dançando enloquecidas, senhores tendo ataques epilépticos, escorregões, trompassos (esbarrões), enfim… tudo pra fazer com que eu pelo menos risse durante a festa…