Archive for May, 2006

Algumas coisas sobre mim

Eu não sei mais o que fazer. Não sei mais o que fazer. É a pura verdade. Eu sou humano. Eu tenho dúvidas. Eu tenho pretensões. Pretensões de sempre agir da forma certa. De não magoar pessoas. De ser feliz. De fazer as pessoas felizes. Eu não sei mais o que fazer. Eu não acredito que esteja conseguindo… Eu moro só. Eu sou carente. Eu preciso de pessoas. Eu preciso de carinho. Eu, eu, eu… Não é o caso de só pensar em mim. Acho que, talvez possa ser o único. E não quero isso. Mas eu não tenho um colo. Mas eu não tenho para quem ligar… à noite… quando estou só… com meus fantasmas…

O Quereres

Onde queres revólver sou coqueiro, onde queres dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha liberdade na amplidão

Onde queres família sou maluco, e onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco, e onde queres eunuco, garanhão
E onde queres o sim e o não, talvez, onde vês eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão, e onde queres cowboy eu sou chinês

Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato eu sou o espírito, e onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo, e onde buscas o anjo eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói, e onde queres tortura, mansidão
Onde queres o lar, revolução, e onde queres bandido eu sou o herói

Eu queria querer-te e amar o amor, construírmos dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés, e vê só que cilada o amor me armou
E te quero e não queres como sou, não te quero e não queres como és

Onde queres comício, flipper vídeo, e onde queres romance, rock'nroll
Onde queres a lua eu sou o sol, onde a pura natura, o inseticídeo
E onde queres mistério eu sou a luz, onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro, e onde queres coqueiro eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total do querer que há e do que não há em mim

Saudades

…nada me resta, a não ser, a vontade de te encontrar, o motivo eu já nem sei, nem que seja só para estar ao seu lado…

A queda II

Sabe aqueles sonhos em que a gente está caindo? Pois é. Eu estava caindo, apesar de ter asas, asas que eu não sabia usar. E, de repente eu acordei com plumas a me roçar o rosto. E percebi que tinha duas asas nas minhas costas. Uma plumagem negra, branca e cinza. sentei na cama, sentindo o peso recém adquirido e comecei a rir. Sabia que não passaria pela porta. Sabia que não sabia voar. Daí eu me encolhi e percebi que as asas também encolhiam. Era como prender a respiração. Elas entraram nas minhas costas. E nunca mais saíram… Ainda hoje eu olho para trás, pensando ter visto alguma pena. Nunca mais acordei com plumas roçando meu rosto… 

A queda

Ontem duas asas saíram das minhas costas. Senti primeiro uma coceira nas omoplatas. Passei iodo, que para meu pai, serve para tudo (se tiver câncer, tomando duas colheres de sopa diárias, em dois meses você estará curado), e fui dormir. Acordei ainda de noite com plumas roçando meu rosto. E lá estavam elas: um misto de penas brancas, negras e cinzas a adornar minhas costas. Desajetadamente levantei da cama e quase caio, com o peso estranho. Consegui um novo ponto de equilíbrio. Institivamente bati as asas e derrubei toda sorte de bugingangas que ficam na minha pseudo estante. Não consegui passar pela porta do quarto. E do alto dos 14 andares que separam o meu apartamento do chão, me joguei na imensidão. E caí… Porque ainda não sabia voar…

FELICIDADE

E a minha não fica sobre uma pétala de flor… A minha é real. É fruto de uma espera… Um bebê. (Cadê o bebê??? OLHA ELE AQUI!!!!!) É fato que demorou mais que nove meses… Lá se vão quase dois anos. Agora eu acabei de colocar Clocks, que é uma das músicas que eu mais adoro… E Eu tou tão feliz, mas TÃO feliz, que dá até medo. É engraçado como a felicidade traz em si o medo, como um germe inato, que dá aquela sensação de aimeudeus. A questão é que o passo foi dado. E não tem volta. Só espero que o caminho escolhido por mim não seja tortuoso demais, que eu acho que tou merecendo ficar feliz por mais um pouquinho de tempo…

Como eu quero

Os textos que mais gosto são escritos em momento de tristeza, seja ela apenas melancólica, seja daquele tipo que dói. Não quero mais gostar dos meus textos. Quero ser inocente de novo. Quero ser ignorante. Quero ser burro. Quero ser rico. E, mais que tudo… Quero ser amado

Limite

Já estou em meu limite. Não em relação a algo em específico. Acho que eu cheguei num ponto em que não me suporto mais. Já estive aqui antes. É péssimo. Mas, a cada vez que revisto esse cantinho sombrio, tenho a certeza que ele está maior. E eu vou me perdendo dentro de suas galerias, nas quais pequenos atos são vistos como quadros, em molduras over o bastante pra desviar a atenção da pintura. Como tudo em mim, “um pouco over demais”, que desvia a atenção de mim mesmo. E as pessoas se perdem nas molduras que crio. E cada vez mais, minha pintura é colocada em segundo plano. Saber que isso tudo decorre exatamente da moldura que escolho só faz com que eu me sinta pior. Porque é inevitável pra mim. Acredito que minhas escolhas não passam de simples respostas pró forma às questões colocadas em minha frente. E esse sentimento – de não estar à frente das próprias decisões – só faz com que eu me sinta pior. Sim, porque para muitos esse pensamento pode parecer simplesmente uma evasiva tentativa de justificar meus atos. Mas para mim, sei que é muito mais um tormento, que qualquer mera justificativa. Não necessito de justificativas. Só queria não me envergonhar tanto do que eu sou. Do que eu faço. Da forma como me porto. Queria não me sentir tão ridículo. Mas, por outro lado, é inevitável ser ridículo. Porque a sensação que eu tenho sendo ridículo é maravilhosa, qual uma droga que entorpece os meus sentidos. Não é uma questão de “ser ridículo para alguém”. Simplesmente ser. E a sensação que fica depois é um misto de depressão e solidão. Porque no fim, eu sempre volto pra casa e encontro um espelho na frente do qual observo minhas lágrimas descerem.