Archive for March, 2006

Do porque sou só humano

Nunca tive dificuldade de fazer o que quis. Segundo o meu mapa astral, isso se deve a um certo campo de força que existe em mim e atrai aquilo que desejo. Mas hoje eu me sinto tão humano, tão vergonhosamente humano, que não consigo fazer o que me é de mais inato: agir com naturalidade. É de minha índole tal atitude, mas quando estou perto de você isso meio que me foge. Escondida em algum lugar que não sei, ou não quero saber, ou ainda, tenho medo de saber. Sim, porque o medo da rejeição tem me feito ser cauteloso. E eu NÃO sou cauteloso. NÃO sou sutil. E, mesmo assim, continuo agindo dessa forma. O que eu tenho quase certeza é que esse medo é uma barreira ao tal campo de força. Acho que, uma vez superado esse medo, você, que é o que eu mais desejo, mais do que tudo que já desejei, possa me ensinar o que é amar. Porque meu coração é zerinho de fábrica. Tá precisando amaciar…

Sobre “só é seu, aquilo que você dá…”

De como eu adoro essa frase e de como eu não posso dizê-la a todo momento, por razões óbvias. E de como eu odeio trocadilhos infames. Bom, juridicamente, de fato, o direito de propriedade implica o direito de disposição sobre o bem. Assim, só é da pessoa, aquilo que ela pode dispor, aquilo que ela pode dar. Mas essa frase é sobre mais que domínio. O desapego inerente à mesma é, de certa forma, uma declaração de amor.

Pop Zen 

 Composição: Alexandre Leão/Manuca Almeida/Lalado

Tudo que você tem não é seu
Tudo que você guardar
Não lhe pertence
Nunca lhe pertencerá
Tudo que você tem não é seu
Tudo que você guardar
Pertence ao tempo, que tudo transformará
Só é seu aquilo que você dá
Tudo aquilo que você não percebeu
Tudo que não quis olhar
É como o tempo
Que você deixou passar

Tudo aquilo que você escondeu
Tudo que não quis mostrar
Deixe que o tempo, com o tempo
Vai revelar

Só é seu aquilo que você dá
O beijo que você deu
É seu, é seu
É seu beijo

A queda de Hermes

1º – Do porque que eu odeio inferências de renascimento sempre tendo como signo a Fênix. Deixai-a em paz, pobres mortais. São vários os símbolos para renascimento, mas sempre que alguém faz qualquer referência, lá vem de volta a coitada da Fênix. 
Bom, deixando de lado um mundo de obviedades criado, ou melhor, malcriado e mantido por três anos, passo a observar o mundo com olhares menos perfeitos, encarando a humanidade a partir de uma casca humana. Sim… em todos esses anos nunca tinha me ocorrido nada igual, mas finalmente fui contaminado por um vírus letal aos deuses. Hoje percebo-me um ser finito e ainda tenho medo da efemeridade da vida. Por outro lado, mesmo com toda a eternidade, que me era inata, não poderia ser mais feliz, ou sequer próximo, do que sou hoje. E devo isso só a você, que é o motivo de minha queda. O Olimpo nunca mais será o mesmo. Não mais haverá envio de mensagens aos mortais. E tudo isso por uma bricadeira descuidada do Eros menino.